Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2007
Algo Está Podre no Reino da Dinamarca
Eu não iria tão longe, pelo pivete, acho que algo está podre no Metro de Lisboa. Que fedor do diabo, em bem sei que está frio mas não custa nada um gajo lavar-se nem que seja só por baixo.

Enfim, não fora a mariazinha que vinha com aqueles sapatinhos de salto tipo agulha a viagem teria sido uma merda completa. Mas, vendo bem, também não era daquelas que levasse para casa, tinha pinta de quem ia implicar com a bolinha de cotão que tenho debaixo da cama e acabava por me tirar a pica toda.

Deixá-la ir!


desinfectado por Jonas às 11:39
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Segunda-feira, 22 de Janeiro de 2007
Este Estabelecimento Serve Caçadores(as), Pescadores(as) e Outros(as) Mentirosos(as)

Com o que aqui vem corro o risco de parecer um pouco reaccionário e/ou talvez até um pouco labrego, mas enfim, lá terei de me aguentar.

Mulheres e as suas modernices, já soltei por aqui e por ali, no meio de muita verborreia gratuita, umas quantas loas sarcásticas sobre o assunto. Note-se que sou pela igualdade de direitos e emancipação feminina. Tenho alguns problemas, venho do campo logo carrego uma boa dose de borreguice que tento exorcizar. Melhor: não estou completamente (longe disso, aliás) livre de preconceitos e estereótipos de macho saloio mas tento, assim que note, corrigi-los e fazer com que na minha cabecita habitem ideias menos preconcebidas e modernaças.

Estou com estas baboseiras todas a tentar não passar por nenhum carroceiro, calhando é pior. Não sei.

Muito bem. Fumar, beber, conduzir, dizer palavrões, ser independente, arranjar empregos de jeito e essas coisas todas da mulher moderna não eram novidade nenhuma para mim. Coisa nova foi outra que comecei a notar recentemente: A forma como contam histórias, ou melhor, o tipo de histórias que senhoras e meninas vão contando. São tretas cada vez mais masculinizadas, quase de tasca por vezes. Daí o título deste post. Parece que legalmente os anúncios de oferta de emprego não podem ser discriminatórios ao nível do género. Terão de assumir sempre uma forma semelhante a “Sopeira(o) precisa-se”, “Sapateiro(a)...” e etc...

Os típicos azulejos das casas de pasto por este país fora não tardarão a exibir dizeres como “Este Estabelecimento Serve Caçadores(as), Pescadores(as) e Outros(as) Mentirosos(as)” a bem da igualdade.
Ora, direitos iguais, muito bem! E se tens o direito, fá-lo! Correcto? Talvez nem tanto.

Fumar? Ok, embora faça um mal do caraças talvez seja o menor. Acredito que um cigarrinho em determinadas ocasiões como depois de uma boa refeição, uma queca (boa ou má) e sei lá mais o quê proporcione um prazer honesto que desconheço mas qualquer fumador atestará.

Contar tretas sobre o fabuloso consumo do automóvel? O tempo que se fez do Algarve a Lisboa? A carapuça que se enfiou ao agente da imobiliária que vendeu a casa? Isto é quase o tipo de coisas que um bebedolas contaria ao outro com a barrigana encostada ao balcão e com as calças caídas a mostrar o refego peludo do rabo.
Ir à tropa, tornar-se uma criatura desmiolada que berra por tudo e por nada agarrada a uma G3 ou conduzir uma Berliett? Para quê querer fazer estas coisas todas que já são sobejamente beras para qualquer macho?

Mas o que me ficou mesmo atravessado foi a questão das tretas e bazófias. Levem lá todos os direitos e mais alguns, mas usufruam, por favor, dos que são bons. E com uma nova fineza que acredito que um toque feminino sério pode trazer.

As machices também podem levar uns acertos. Ah, o que eu gosto de agarrar uma pelas ancas com força e dizer que “agora eu é que sei” e mais umas badalhoquices. Mas isto só a brincar. É isso, façamos as coisas assim: os direitozinhos todos para uns e para outros e continuemos machos e fêmeas num jogo salutar.

A história das lérias é que me tira mesmo a tusa toda.


Trapalhada: , ,

desinfectado por Jonas às 10:38
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Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006
Gosto e Paladar
Hoje pus-me cá a pensar umas coisas durante a viagem no Metro. Vinha meio enlevado a observar uma senhorita balzaquiana já adiantada (não era nenhuma florzinha nem tinha ar de quem chama pela mãe, não) e notei que a idade realmente faz qualquer coisa. A minha, é da minha idade que falo.

Já dou por mim a reparar, por exemplo, em mulheres mais velhas, coisa que há uns tempos não me interessava por aí além. É claro que a beleza se manifesta independentemente da idade e nunca me passou despercebida. Mas isto é diferente, não se trata de apenas notar certos traços mas sim nutrir uma certa atracção.

Isto não se aplica só à idade, manifesta-se também às fisionomias. Quando mais putos, parece-me, temos uma imagem à qual não conseguimos fugir muito. Ou a menina corresponde minimamente ou então não serve. Agora, cada vez mais, as balizas se alargam. A idade pouco importa, e consigo concentrar-me num ou noutro pormenor que serve para fazer palpitar a imaginação e a luxúria. Uns pés através de umas sandálias reduzidas, um ombro...

Voltando o título do post, que parece despropositado, e para explicá-lo vamos lá continuar. Esta conversa toda aplica-se muito bem à alimentação. E como mamíferos que somos faz sentido, o comer e o estímulo do paladar proporciona-nos também prazer.

Vejamos como o nosso paladar evolui com a idade. Na garotice não há miúdo que, se pudesse, não se alimentasse só de bifes com batatas fritas, frango assado e hambúrgueres do McDonalds. São como as meninas lourinhas, angelicais, de bochechas rosadas do ciclo... Mais tarde o panorama não muda muito em termos de alimentação, já as raparigas começam a ter que corresponder a critérios mais rigorosos, as formas têm de ser imaculadas.

Só quando adultos o nosso paladar se encontra desenvolvido, aprecia-se todo o tipo de sabores, cerveja, peixe cozido, sopa nabiças, arroz de grelos, iscas à portuguesa, etc... tudo e mais alguma coisa.

Eu vejo-me já nessa fase quando hoje vinha a apreciar a tal balzaquiana com uma boina, pinta de Michelle of the Resistance. Acho que era um prato de ovas grelhadas com molho de coentros.


desinfectado por Jonas às 11:57
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